Teatrinho. Poesiazinha. Você fazia teatrinho e poesiazinha. Você era mestre em emoções diminutivas. Aquilo nem era pra mim, era para alguém que você queria que eu fosse, eu acho que fui rato de laboratório durante um tempo. Reencarnei homem e fui contratado para animar o seu laboratório. Pieguices não vêm de afetos, mas da falta deles, eu disse uma vez, quase sem querer. Não pense que eu gostei de ter dito isso pra você. Mas você rebateu com uma ponta de mágoa, disfarçada no tom solene e doutoral de sempre (você é tão européia, isso cai em você como roupa de griffe), que não são pieguices, são carinhos meio adormecidos, eu tenho que exercitar isso. Vocè não sabe nada de mim, você não sabe o que é sofrimento, não tem idéia, você é de outro meio. Ah, bom, eu tinha me esquecido de que o sofrimento era uma invenção sua. Dentre tantas coisas inéditas que você me trouxe, a mais incomum é essa, eu disse já impaciente, aguardando o próximo round. O das teorias, que era a sua parte preferida na contenda. Sim, era contenda. Delicadíssimos na cama e animais fora dela, eu e você. Devia ser bem o contrário, e no início até que era. E as teorias eram sempre sobre mim, você lembra? Sobre você só havia o sofrimento, você me vendeu a idéia de sobrevivente do holocausto. Um dia você, fênix pós-moderna, se levantou das cinzas e virou uma caricatura. Alguém precisa retocar você.
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4 comentários:
Nossa que post! Estou boba.
Mas olha... convidei você pra uma 'meme' no meu blog, tá?
;*
Paulo, acessa:
http://www.sensibilidade.blogger.com.br
Olá, blog muito bom!
Visita o meu www.sentimentodaalma.zip.net
Abração!
lembrei de caio f. abreu "Não, você não sabe, você não sabe como tentei me interessar pelo desinteressantíssimo".
subjetivando.zip.net
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