
Conjugar o verbo conjugar, indicativamente, sem subjuntividades imperativas, tampouco infinitivas, suprimindo todas as desinências radicais. Fazer a crítica da cyber-metalinguagem passada e contemporânea, sem se utilizar de palavras ou quaisquer sinais gráficos e/ou sonoros. Discorrer livre e diretamente sobre o discurso indireto livre, exemplificando de forma oculta. Justificar a onisciência do narrador, à luz de alguma teologia. Acusar, nas frases acima, todas as subjetividades impositivas. Objetivamente, conjugar-se. Flexionar-se a si próprio, em todas as formas possíveis, ser todas as personas verbais do verso de alguma divindade - a escolher - excetuando-se aquelas sobre as quais nada se saiba de concreto. Conjugar os versos abaixo, apontar a forma ideal de fundir seus hemistíquios, caso se mostrem irremediavelmente alexandrinos, e eliminar cesuras de quaisquer espécies, como num sonho. Em relação ao sonho, cair em sono profundo e guerrear contra todos os truísmos redundantes e oníricos que encontrar no já referido. Subjugar a sintaxe do inimigo, deixá-lo à míngua de objetos de análise e sujeitá-lo aos mais diversos e abomináveis predicados. Viver a morte, relatando todos os passos. Morrer a vida, fazendo o caminho inverso. Voltar de costas, apagando todos os vestígios e todas as palavras utilizadas anteriormente. Parar. Olhar em volta. Acordar, contar as vogais de "Os Lusíadas" e extrair a raiz quadrada do resultado. Guardar esse número em segredo até o Juízo Final. Vale um ingresso para o circo.
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