
Há mediocridades várias nas relações humanas, dentre as quais uma bastante comum é tentar desqualificar um suposto interlocutor. O mundo gira em torno de certos umbigos, isso é notório. A leitura equivocada e míope de fatos e textos, para um sem-número de medíocres arrogantes - isso é quase um pleonasmo -, faz soar um alarme: "Estão falando de mim, preciso urgentemente desqualificar alguém". O que não sabe nada de si também não sabe nada do que acontece do lado de fora de sua porta, isso também é notório. Supõe, passa a vida supondo. Mesmo assim empunha sua espada enferrujada em busca de um triunfo efêmero contra um inimigo imaginário, que vive anos-luz distante do seu mundinho. A cegueira e a vaidade juntas produzem desastres em forma quase-humana. Estéreis e tristes, essas coisinhas mal-paridas querem impingir ao resto do mundo a dor de não gostarem de si próprias. Vivem tentando ver solidão e burrice em tudo, menos onde ela realmente está. R. I. P. pra essa gente, como se lê nas lápides inglesas. Seriam patologias, se não viessem de gente morta que insiste em parecer viva. A vida passou na janela e só a moça da canção não viu. Lá de dentro de sua tumba acredita piamente ser dela que o mundo anda falando. Mas acho que a moça da canção é quase feliz em sua burrice de além-túmulo. Tem família e amigos, ainda que essas categorias soem bastante teóricas em seu curriculum mortae. Mas por que duvidar dela? Mortos não mentem, embora alguns se levem a sério demais e façam suposições demais ao lerem - e mal - textos alheios. Não têm cacife sequer para serem odiados. Quando muito - e já é uma concessão imensa - desprezados.