segunda-feira, 3 de março de 2008

A Internet torna as pessoas inteligentes


O título acima, se levado a sério, poderia me custar um processo judicial, quiçá uma interdição. Já se fez muito mais por muito menos. Mas a idéia que me seduz é exatamente a oposta, embora eu não queira ser parcial ou induzir a opinião de ninguém. Vamos fazer então um exercício de dialética. Dialética de boteco, que é uma subespécie da filosofia de boteco, esta por sua vez uma prima distante da psicanálise de boteco. (Sobre a psicanálise de boteco, by the way, recomendo o blog da soi-disant escritora Helga Silveira, a Guiga).

Feitas as apresentações e gracinhas, voltemos ao assunto. Steely Dan me enche os ouvidos com uma atmosfera bluesy em Pretzel Logic, neste exato momento. O clima é favorável à lógica e à dialética, portanto. Elejamos nossa tese: A Internet torna as pessoas inteligentes. Urge encontrarmos a antítese - algo que não é tão simples como parece, aliás. Não basta afirmar exatamente o contrário e achar que se está diante de uma antítese: "A Internet torna as pessoas burras" não é o que queremos, embora saibamos de antemão que há um emburrecimento geral pairando no éter desde o advento da web. Da linguagem ao cardápio dos restaurantes, o que corta os ares há tempos é um quê de insuficiência cerebral. Mas as novelas da Globo, bem como sua programação de domingo também são suspeitas, podendo inclusive potencializar os supostos efeitos da rede, se administradas concomitantemente ao uso do computador, a máquina mortífera. Sim, estou sendo parcial. Perdoem. O júri deverá desconsiderar as últimas frases. Thank you, your honor.

Uma candidata a antítese: a Internet é um fator de alienação. Uma vez que a alienação, até onde se sabe, opõe-se ferozmente à inteligência, temos aí uma boa candidata a antítese de nossa tese. (Tá complicado? Não se avexe, vai piorar). Avançamos consideravelmente nos últimos dois minutos - ou duas horas, dependendo do tempo que você leva para ler. Começamos timidamente, despretensiosos, humildes e...voilà! Temos o orgulho de apresentar uma tese e sua antítese. O mais divertido disso tudo é que nem tentaremos descobrir se há verdade nelas. Vamos, isto sim, jogá-las no ventilador e extrair uma síntese que pareça convincente.

Tipo assim: a Internet criou um tipo particular de inteligência, reconhecível apenas pelos iniciados. Serve pra você?

Pode ser, e eu lamento, que tudo isso seja apenas delírio de quem já está até o pescoço enfiado na areia movediça da teia mundial de computadores. Pode ser também que toda a inteligência e conhecimento tenham migrado dos livros para a Wikipédia e o Google. Pode ser um porrilhão* de coisas. Pode ser que o melhor mesmo seja desligar o computador e abrir um livro. Ou namorar. Ou encher a cara de pinga.

Pode ser.


* 10 elevado a um número grande pra c... ou o inverso do pentelhésimo.

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