
Somos dois silêncios satisfeitos, eu e ela. Não que não haja nada para dizer, é bem o contrário. Mas há nessa cumplicidade muda uma espécie de repouso de guerras passadas, nós ali quietos, encarando o teto, desarmados, prisioneiros de uma prisão infinita. Nada é combinado, mas dá tão certo que assusta. Poderíamos fazer mágicas para nos distrair mutuamente, até que seria divertido. Fecho os olhos e penso em coisas intraduzíveis. Passam-se dias, câmera acelerada, claro-escuro pulsando, o quarto varia de tom e de decoração. Tudo muda numa velocidade estonteante. Mas ela está ali, sorrindo de olhos fechados, feito um anjo bem-humorado. Isso me conforta, mas ainda não é o suficiente: quero ser um algo, mas ainda sou um quem. Essa imperfeição é a única coisa que me incomoda no momento. Meu sonho é dormir feito uma pedra e acordar pedra. Amanhece. Eu e ela apenas sentindo a correnteza do rio passar sobre nós.
3 comentários:
"dois silêncios satisfeitos" beiram a perfeifeiçao: a frase ,o momento e o futuro imediato!!
Bravo Paulo! e parabéns à musa!rs
"perfeifeiçao" é mais do que perfeiçao ainda! rs
Postar um comentário