domingo, 22 de julho de 2007

Igreja Deus É Qualquer Coisa


Recebi um folheto de propaganda - isso mesmo, em Português é folder - falando da Igreja Deus é Qualquer Coisa. Achei interessante e repasso aqui pra vocês. Mas não me responsabilizo pela adesão, viram? É uma postagem meramente informativa. Segue o texto:"E virá o dia em que o Senhor dos Exércitos descerá de uma nave para punir os que prevaricaram. O céu se tornará púrpura para os pecadores, mas se apresentará limpidamente azul para os justos. Milhões de trombetas amplificadas soarão nesse momento, anunciando o fim da impureza e do materialismo. Uma fumaça vermelha envolverá toda a terra, a lembrar o sangue dos inocentes que pereceram na luta contra o mal. Nada do que dissestes ou do que fizestes terá passado despercebido. E sabereis que a hora do julgamento é chegada".

Igreja Universal Deus é Qualquer Coisa - Estrada do Maraú, 1250 - Vila Itaparica - São Paulo - Capital - telefax (0xx11) - 5555-9999.

Sei lá, tipo assim, parece um showzaço de rock. Não quero perder isso por nada nesse mundo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Silêncios satisfeitos


Somos dois silêncios satisfeitos, eu e ela. Não que não haja nada para dizer, é bem o contrário. Mas há nessa cumplicidade muda uma espécie de repouso de guerras passadas, nós ali quietos, encarando o teto, desarmados, prisioneiros de uma prisão infinita. Nada é combinado, mas dá tão certo que assusta. Poderíamos fazer mágicas para nos distrair mutuamente, até que seria divertido. Fecho os olhos e penso em coisas intraduzíveis. Passam-se dias, câmera acelerada, claro-escuro pulsando, o quarto varia de tom e de decoração. Tudo muda numa velocidade estonteante. Mas ela está ali, sorrindo de olhos fechados, feito um anjo bem-humorado. Isso me conforta, mas ainda não é o suficiente: quero ser um algo, mas ainda sou um quem. Essa imperfeição é a única coisa que me incomoda no momento. Meu sonho é dormir feito uma pedra e acordar pedra. Amanhece. Eu e ela apenas sentindo a correnteza do rio passar sobre nós.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Preguiça


A preguiça é um bicho sonolento que encontro quase todas as manhãs - já foram mais frequentes - no espelho do banheiro. Sequer me diz bom dia, a danada. E olha que nos conhecemos muitíssimo bem. Mas não sou mal-agradecido: gosto dela, apesar do ar blasé e de certos hábitos extravagantes, como passar sábados inteiros de pijama e meias. As gêmeas Preguiça e Inércia, deusas pagãs, reinaram absolutas na Colina de Menor Esforço, a mais alta da Península do Ócio, por boa parte da Antiguidade. Depois, extenuadas por milênios de monotonia, se recolheram num spa de endereço ignorado, onde passaram a Idade Média assistindo programas de variedades e jogando paciência. Inventaram o controle remoto antes mesmo de existir TV. Nas portas de seus quartos, uma frase dizia tudo: "I want to be alone". Inércia foi reabilitada por Sir Isaac Newton alguns séculos depois, tornando-se uma celebridade da Física. Para quem é mãe de todos os vícios, Dona Preguiça ainda exibe uma saúde invejável. O mesmo não se pode dizer dos filhos, caídos pelas sarjetas, mortos de fome e frio, humilhados, perseguidos, injustiçados. Erasmo de Rotterdan não viveu o suficiente para escrever o "Elogio da Preguiça". Ou então os originais se perderam, o que é mais provável. Se o pecado original tivesse sido a preguiça, ainda estaríamos no Éden: Adão e Eva não teriam comido a maçã oferecida pela serpente, com tanta manga caindo aqui e ali, sem precisar ao menos sair da rede pra pegá-las. E Caim não teria assassinado Abel, o queridinho da mamãe. Pura falta de saco, já que invejar dá um trabalho sinistro. Os animais não teriam nomes, seriam apenas criaturas tranquilas, preocupadas tão-somente em procurar uma boa sombra pra descansar. Pensando bem, não fazer nada por toda uma eternidade cansaria um pouco. Mas cá pra nós, dá uma preguiça danada de pensar numa solução para esse impasse.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Desembucha, cabra!


Nada ainda? É preciso escrever, então. Preguiça não dá bons textos. No máximo ela dá bons textos não-escritos, o que é lamentável. Não-textos. Não. Avancemos, pois, tentando justificar o título do blog, pra começar. "Poéticas" é bonito, lembra Aristóteles, que queria dar palpite sobre tudo, nas suas "Éticas", "Estéticas", "Políticas", "Poéticas" e sabe lá mais quantas "éticas" e "íticas". Mas o blog é bem modesto, apenas faz referências, tangencia, espia. Mas não copia, nem escaneia, muito menos sacaneia. A não ser o que mereça ser sacaneado, copiado ou escaneado. Não há o que justificar, poéticas são todas as coisas. Desde o olhar sem vida do pinguim sobre a geladeira ao surgimento de uma supernova na galáxia de Omega-Ni. Vai saindo assim meio parto a fórceps, dia chuvoso, agonia de lan-house cheia, gente olhando, adolescentes com os olhos pregados no herói virtual do game, que dá porrada em todo mundo e sai ileso. Puro. Sem mácula, exceto a do sangue que lhe molha as vestes. Gritaria na rua. Trabalho esperando pra daqui a cinco minutos. Poéticas. Todas. Prosaicas não menos. Enfim, um quase-texto. Um subtexto. Mas eu volto. Isso é uma ameaça.